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ECLUSA DE TUCURUÍ (PA)

por Tatiane publicado 19/01/2011 18h00, última modificação 08/05/2015 16h18

HISTÓRICO:

Os rios Tocantins e Araguaia atravessam as regiões Centro-Oeste e Amazônica, comprovadamente dotadas de imensas riquezas minerais, banhando em extensões superiores a 2.000 km terras com natural vocação para a agropecuária. Se transformados em hidrovias de grande porte, poderão ser fatores determinantes da exploração em larga escala desses recursos pela possibilidade de direcionar a produção regional, desde Barra do Garças, no Brasil Central, para um porto flúvio marítimo no estuário do Amazonas - Vila do Conde,   privilegiadamente localizado em relação aos mercados norte-americano, europeu e do Oriente Médio. Mas, para que a produção dessa região apresente condições de competitividade com outras áreas mais próximas do litoral ou dos grandes centros é fundamental a existência de uma via de transportes de baixo custo operacional como a hidrovia pode oferecer.

Da análise das condições de navegabilidade dos dois rios, verifica-se que essa hidrovia é constituída de longos trechos naturalmente navegáveis para embarcações adequadamente dimensionadas, embora com restrições de profundidade em passagens localizadas, porém, perfeitamente suscetíveis de correção, através de melhoramentos diretos a serem implantados progressivamente, em função da demanda de tráfego.

A construção da barragem de Tucuruí — situada no rio Tocantins Pará, a 250 km de sua foz - tem a finalidade primordial de gerar energia, através da usina hidroelétrica. Se, por um lado, a barragem afoga com seu reservatório as corredeiras de Itaboca, até então os principais empecilhos à implementação da navegação comercial no Tocantins, por outro lado, secciona a hidrovia, impondo a construção de uma obra de navegação de grande porte capaz de vencer o desnível de 72 metros, criado. Dessa forma, o aproveitamento de Tucuruí compreende, também, um sistema de transposição localizado na margem esquerda do rio Tocantins e constituído por duas eclusas e um canal intermediário, adequadamente alinhados, cujo objetivo precípuo é dar continuidade à navegação no trecho da hidrovia interrompido com a construção da barragem. Ao mesmo tempo, será viabilizada uma ligação ao porto de Belém PA, onde a hidrovia poderia se situar como alternativa de transporte para o minério de Carajás.

A eclusa 1 tem estrutura de gravidade em concreto - massa e se conecta, pela Cabeça de Montante, ao eixo da Barragem de Terra da Margem Esquerda, através de quatro blocos de muros de ligação. O Sistema Hidráulico de Enchimento da Eclusa 1 é formado por duas tomadas d'água localizadas na cabeça motante, controladas por comportas do tipo setor-invertido. A distribuição de água dentro da câmara é feita através de oito difusores. A eclusa 1 dispõe de um sistema de alimentação suplementar previsto para a manutenção dos níveis d'água no canal intermediário.

A eclusa 2, está localizada junto à margem esquerda do rio Tocantins, próximo à cidade Tucuruí. Está posicionada de tal forma que dois terços de sua estrutura estão encaixados em rocha. O sistema hidráulico de enchimento da eclusa 2 é formado por uma tomada d'água tipo tulipa, encaixada na rocha do lado esquerdo da cabeça de montante, um sistemade controle por comportas do tipo setor-invertido e, um dissipador de energia, escoando as águas diretamente para o rio Tocantins. Se completam com muros-guia situados a montante e a jusante, constituído de uma guia-corrente em terra e enrocamento, com a finalidade de proteger a entrada e saída dos comboios na eclusa e desviar o fluxo do rio Tocantins.

Dentro deste enfoque, a construção das eclusas de Tucuruí é imprescindível ao aproveitamento econômico do grande potencial agropecuário, florestal e mineral já identificados no Vale do Tocantins-Araguaia que depende da oferta de meios de transporte maciços, de baixo custo e baixo consumo energético, face ao pequeno valor unitário das cargas a serem geradas e às grandes distâncias a serem percorridas.

A obra possibilitará, ainda, a geração de empregos para a população da própria bacia hidrográfica e de outras regiões, numa contribuição para o desenvolvimento do Centro-Oeste e Amazônia e para a desconcentração industrial do País, uma vez que será formado um corredor de exportação da produção regional com o aproveitamento do transporte hidroviário até um porto para embarcações marítimas.

Os dois empreendimentos em Tucuruí — as obras de geração de energia, a cargo da ELETRONORTE, e as obras de navegação sob responsabilidade do Ministério dos Transportes/Administração das Hidrovias da Amazônia Oriental-AHIMOR , estão intimamente ligados, enquanto persistir a concomitância: obras principais fisicamente incorporadas, mesma infra-estrutura de apoio (vilas residenciais instalações de canteiro, etc.); administração única da ELETRONORTE no canteiro; mesmos empreiteiros, mesmos preços unitários de serviços, mesmas condições contratuais. É de todo interesse resguardar esta unidade de ação e de condicionantes com vistas à otimização do empreendimento conjunto e ao máximo aproveitamento de mão-de-obra, equipamentos e materiais disponíveis no local.

LOCALIZAÇÃO:

Rio Tocantins, cerca de 250 Km da sua foz

FINALIDADE:

Navegação

COMPRIMENTO:

210,00 m

LARGURA:

33,00 m

DESNÍVEL:

72,00 m